Jubileu não parecia muito feliz com a ideia de ficar na retaguarda mas acabou por concordar com Jennifer. Ela era forte e Jubes era uma novata. Era melhor daquele jeito. A moreninha fez um pequeno bico quando elas desceram do avião, já visualizando alguns robôs no final da rua mais próxima. Jubilee se postou prontamente atrás de Jennifer, seu olhar brilhando com a batalha iminente. Ela podia sentir suas mãos formigarem, loucas para usar seus poderes que andavam contidos demais. ‘Ei! Seus babacas!’, a menina gritou, seu sangue cheio de adrenalina quando os robôs se viraram na direção delas. A menina riu e fez uma pequena explosão de energia, detonando os daquele lugar. ‘Fácil demais..’, ela murmurou, sabendo que o pior estava vindo.
Por mais que não fosse a primeira vez, Jan sempre sentia a excitação de como fosse. Já havia lutado outras vezes e provavelmente ainda lutaria muitas outras, mas ela sempre sentia como se pudesse fazer algo completamente novo em cada vez. No segundo que desceu do avião, diminuiu sua forma, vendo os robôs explodirem com a explosão que Jubileu fizera e logo começou a voar por eles, ficando a uma altura que conseguisse ver por sobre a explosão. Havia mais vindos. Muito mais. Desceu com velocidade, passando por Jen e Jubileu.
- Vem muito mais pela frente, garotas. Está na hora de mostrar o poder feminino. – por mais que realmente estivessem um uma batalha, ela ainda conseguia pensar em frases espirituosas para falar. Sem esperar mais um segundo, pegou velocidade, suas asas batendo com velocidade e erguendo os punhos em direção aos robôs que estavam ainda passando pela fumaça dos destroços dos outros, direcionando a eles rajadas bio-elétricas em direção a eles, direcionando um de cada vez, no mesmo lugar, até atravessá-los e derrubar alguns no chão. Quando eles começaram a realmente passar pela fumaça e avançar, ela parou de voar e ficou flutuando no ar, ainda atirando em cada um deles rajadas com tudo que podia, até que, por fim, vendo que só isso não iria conter, levando em conta a quantidade de robôs, ainda gritou para suas amigas, por sobre o barulho da batalha – Isso vai precisar de mais corpo a corpo, Jen! – imaginando que a outra iria começar a esmagar tudo que pudesse, ergueu os punhos mais uma vez e e voltou a soltar as suas rajadas de energia, sem parar um segundo sequer mais.
(Source: ororo-storm-munroe)
Jubes riu meio sem jeito do comentário da garota, enquanto fazia a pergunta a si mesma. O que exatamente ela estava fazendo ali? Nem ela mesma sabia. Talvez ainda estivesse reconhecendo território. Mesmo que mal soubesse chegar até o refeitório para comer. ‘Sinceramente? Não sei.’, ela disse e deu de ombros. ‘Tentando me acostumar com tanta gente igualmente estranha.’, a morena completou. Nunca tinha visto tanta gente ‘diferente’ junta. Via mutantes, humanos, deuses (!) e tentava se acostumar com tantas coisas diferentes. Escondida sob seu sobretudo amarelo e óculos rosa, ela era uma das mais normais dali. E uma das mais fracas.
Jubileu acompanhou Jan quando ela começou a caminhar. Sabia que ela conhecia o centro bem mais do que ela e que a menina podia a ajudar. ‘E aquele tour que você me prometeu?’, Jubilee perguntou brincalhona, como uma criança animada. Não via a hora de mostrar o que sabia, por tudo em prática.
Não era preciso ser nenhum expert em relacionamentos humanos para entender que Jubileu estava tentando se acostumar com a vida no lugar, e mais ainda, tentando se encontrar. Olhou para a garota ao seu lado, caminhando em um ritmo lento, ouvindo-a falar. Ela era muito nova, mas também parecia querer fazer diferença e Jan não podia deixar de achar a garota vibrante. A sua capa amarela e seu óculos rosa faziam uma combinação incomum, mas de certa forma, era o certo para ela. Guardou o iPod com os fones no bolso do seu vestido e terminou sorrindo, tentando colocar um tom de voz com uma mistura de provocação com brincadeira.
- Então quer dizer que você me acha estranha? Bom saber! – Com uma risada baixa, continuou seu caminho, voltando a olhar para a frente . Suas mãos foram para trás de seu corpo, como normalmente fazia – Podemos fazer isso agora mesmo, então – voltou a olhar sua companheira, de lado. – Posso começar te mostrando algum lugar que você não conhece ainda.
Jubes estava meio perdida em meio ao caos da SHIELD. Ela sempre acompanhara todos os desastres e grandes guerras, mas era a primeira vez em que ela poderia realmente ajudar alguém. A voz de uma moça de cabelos brancos se sobrepôs a multidão de humanos, deuses e mutantes. Ela ouvira direito? Nova York? Podia ser uma aberração, mas ainda era uma adolescente. Mesmo que fosse para lutar, NY parecia uma ideia maravilhosa.
A menina correu por dentre a multidão, usando sua pequena estatura para se esgueirar pelos espaços. Ela se aproximou das duas mulheres, sorrindo para Jan. ‘Eu vou com vocês.’, a morena disse ofegante. Queria provar a todos ali que era capaz. Queria se sentir diferente porém incluída, se é que aquilo fazia algum sentido. Ela manteve a postura confiante, mesmo sob os olhares duvidosos que enxergava com seus óculos rosa.
SHIELD. Sua nova grande casa. Eram tantas pessoas, tantos computadores, visões novas e personalidades curiosas a cada dia. O único que não viu ali foi Batman, mas de resto, heróis com quem sempre sonhou tirar fotos, pedir autógrafos. Bruce teve a árdua e chata tarefa de procurar um a um de sua listinha de “meus heróis favoritos” da mulher. Era tudo lindo, e Jennifer permaneceu encantada por aquilo no período de alguns dias. E além do mais, mostrava a criatura verde e grande para todos, sem medo de ser muito diferente naquele meio. Era até divertido. E quando soube da batalha, animou-se mais ainda.
Enquanto não teve oportunidade de ir lutar, esgueirou-se na sala em que o que lhe pareciam milhares de computadores transmitiam muitas informações e imagens, mostrando toda a batalha em detalhes precisos. Não parecia melhorar nada a cada momento. Seus dedos estavam coçando para socar algum robô. Até que uma solução pareceu vir como magia para ela. Uma mulher - Tempestade - e outras duas, se reunindo para finalmente ir lutar. Arrumou seus óculos, jogou os longos e escuros cabelos para trás, e saiu de seu canto, uma cadeira azul desconfortável, gritando, mas sem atrair nenhuma atenção. Afinal, todos estavam ocupados. - Eu! Eu vou! - Respondeu ao chamado de uma das menores.
- Sou a Jennifer. Mulher Hulk mas… - Mostrou sua mão, em um tom esmeralda. - Vocês já devem saber disso! - Então deu uma risada. - Como vamos? - Perguntou em tom animado. - Helicóptero? E… Você pode voar, não pode? - Virou-se para a que chamavam de Vespa. - Vai voando? Eu queria poder voar. Mas bem, não podemos conversar. Vai nos comandar, Tempestade? - Estava entusiasmada, e deixou-se mostrar isso.
Então, encaminhou-se para a pista de pouso e decolagem do imenso local. - Não fiquem aí, paradas! - Um dos pequenos aviões já estavam prontos, para ir à New York. Sem hesitar, a mulher entrou em um desses.
Tempestade logo escutou uma jovem se prontificar a ir para a batalha. Já a tinha visto pelos corredores da S.H.I.E.L.D e essa seria uma boa oportunidade para trabalherem juntas. Antes de responder a pergunta dela sobre quem mais iria, outra pessoa se aproximou correndo avisando que integraria o grupo. Se não estava enganada, era uma mutante recém-chegada no Instituto e na S.H.I.E.L.D. Porém, Ororo não se opôs. Por mais que não soubesse o quanto a garota dos óculos rosa tivera de treinamento, a menina parecia determinada a ir. Pois bem. A Mulher Hulk também se aproximou, parecia animada com a iminência do combate.
Mesmo em meio àquela situação, Ororo deixou escapar um sorriso com a empolgação de Jennifer. Apenas concordou com a cabeça quando questionada sobre liderar. Parecia um bom grupo e com muita força de vontade, isso era essencial. A liderança era algo com o qual estava acostumada. Discutiriam mais no avião sobre a abordagem que tomariam, não havia tempo a perder. - Muito bem, vamos lá! - Falou às outras duas e seguiu para o mesmo avião que a Mulher Hulk.
- Pelo o que pude ver nas imagens, o Hulk, o Homem de Ferro, a Black Widow, Noturno e Shadowcat já estão em Nova York, porém precisam de reforços. Thor e Lady Sif também estão lá, mas Doombots não param de surgir. - Começou a analizar a situação em voz alta, já dentro do avião. - Sou Storm ou Tempestade, se preferirem. Tenho a habilidade de controlar o clima, caso não saibam. - Apresentou-se. - É bom se todas falarem um pouco do que podem fazer, para decidirmos como operar na batalha. - Era o melhor que podiam fazer para se conhecerem melhor e saberem o que esperar umas das outras. O entrosamento teria que vir já no campo de ação.
A atenção de Jan estava em Storm, até que ouviu Jubileu falar. Virou-se para a garota, para protestar, mas refreou-se, lembrando de quando ela mesma havia começando e como se sentia nessa época. Por final, uma mulher com um tom de pele diferente de tudo que ela já havia visto chegou. Sorriu um pouco, franzindo seu nariz, ao passo que se colocou a caminhar atrás de Storm e Jennifer.
- Eu posso voar, mas vou mais rápido se for com vocês – o que era verdade, sem contar que taticamente também era melhor. Sem diminuir seu passo, continuou falando sobre si, como Storm havia falado para fazerem – Eu sou Janet, também conhecida como Vespa, vocês escolhem como querem me chamar. Eu posso diminuir de tamanho, faço rajadas bio-eletricas quando estou desse tamanho sem contar voar também. E ah, super força. – Foi entrando pela porta aberta do avião, por sua parte traseira – Eu faço qualquer coisa que se precise fazer para ajudar.
Anotou mentalmente aonde cada um dos seus companheiros estavam e olhou para o lado, falando com Jubileu – E eu sei que você está empolgada, mas fique por perto, combinado? – era mais do que ela. Apesar de saber que a garota estava empolgada, ela podia ver que era a mais nova das quarto e isso claramente pesou, mas naquele tom de irmã mais velha que já estava acostumada a usar com ela. – Jennifer, Storm, ótimo conhecer vocês, só queria que fosse em outras circunstancias - O que era a mais pura verdade. – e logo sentou-se em uma cadeira, afivelando o cinto.
Jubileu havia chegado há poucos dias atrás e a única pessoa com quem realmente conversara fora Jan. A menina mal tinha andado pelo lugar, preferia ficar em seu quarto sozinha, o que não era muito típico dela. Normalmente ficava andando por aí, acompanhada ou não, jogando piadas ao vento e brincava com seus poderes. Talvez fosse o fato de ter tanta gente como ela ali. Tanta gente..diferente. Estava tão acostumada a ser a aberração que se sentia um pouco deslocada ao ser apenas mais uma na multidão.
Jubes caminhava distraída, as mãos no bolso do short e os olhos ainda sonolentos. Tinha acabado de acordar e aquilo estava estampado em sua cara, junto com seus óculos rosa. A menina mal reparou quando trombou de frente com alguém, fazendo as duas caírem. Graças a deus era Jan. A morena sorriu e se levantou rapidamente. ‘Desculpa.. É o sono.’, ela murmurou meio constrangida enquanto ajudava a amiga a se levantar.
Era só mais um dia cheio de treinos e derivados e Jan já estava mais do que acostumada a isso. Ai que estava o problema. Ela estava acostumada a isso. Por isso andava com o corredor com o fones do iPod tocando uma música no volume máximo, do jeito que ela gostava. Podia sentir quase vontade de sair e dançar, mas ela sabia muito bem que não era a hora de pensar nisso, muito menos de se realmente executar algo assim, então a musica deveria bastar por enquanto. Ela sempre gostava de conversar, mas nesse dia estava perdida em seus pensamentos, provavelmente porque… trombou em alguém, ao dobrar o corredor, com tanta força que foi pra trás, os fones escorrendo de seus ouvidos e aparelho caindo no chão. Jan teve de fazer o máximo de esforço para manter a dignidade quando caiu sonoramente no chão, o que terminou sendo engraçado. Viu Jubileu estender a mão para ela, e não pensou duas vezes, segurou a mão da garota e ficou em pé, rindo.
- Pelo menos já sei que você é forte, hein. – Inclinou-se e pegou o aparelho com a mão, enrolando os fios nele mesmo – O que você faz por aqui perdida no meio do corredor com tanto sono? – O seu tom de voz era o usado para brincar e não demandava nenhuma explicação da outra, na verdade, era um tom de voz quase de uma irmã mais velha, se isso pudesse existir. Ela sabia que Jubileu ainda estava se adaptando e por isso estava simplesmente puxando conversa com ela.
Ororo ainda tinha seus receios em trabalhar com a S.H.I.E.L.D, afinal estar rodeada por agentes humanos altamente treinados e com armas à disposição não lhe trazia boas lembranças. Porém, essa era a realidade e cabia a deusa do tempo adaptar-se. Humanos, mutantes, deuses, lutando lado a lado com um objetivo em comum. E agora era a hora de colocar essa aliança à prova.
Alertas sonoros, luzes piscando, agentes apressados indo de um lado ao outro na base de operações. Tempestade poderia não estar muito familiarizada com o protocolo ou até mesmo com os agentes que ali estavam, mas as imagem nos monitores eram claras: Várias cidades estavam sendo atacadas. Alguns rostos conhecidos já estavam nos locais dos ataques lutando contra as criaturas. Mas eram muitas. Vários “heróis”, como algumas vezes eram chamados pela população, ainda estavam na base preparando-se para ir ao apoio dos que já estavam em campo.
- Quem está indo para Nova York? - Storm se fez ouvida em meio ao caos das operações. Não era de seu feitio ficar parada esperando ordens. Nick Fury deixara claro que deveriam fazer o possível para trabalharem juntos e cooperarem, mesmo nem todos os novos afiliados à S.H.I.E.L.D se conhecendo muito bem. Tinham um trabalho a fazer. Tempestade julgou ser mais útil na Costa Leste, os X-Men tinham uma certa experiência em lutarem contra robôs. Era hora de testar se essa nova aliança era mesmo eficiente.
Era dessas coisas que o destino tomara providência: quando os ataques começaram, Jan não estava na mansão SHIELD. Ela estava fora, em uma base, tratando de algum assunto que ela definia como “tão chato que era capaz de me levar ao coma de tão chato”, mas era algo que já aprendera, desde que começou a trabalhar com Os Vingadores: ela não fazia só as coisas que queria. Eles eram um grupo, e se ela tinha que ir entregar alguma coisa cientifica em alguma base para ajudar, que assim fosse. E foi o que ela fez. Vinha caminhando pelo corredor quando viu alguns guardas passarem correndo e em seguida um alarme se fez ouvir por toda a base. A confusão imperou: agentes correndo, luzes, barulho. Eles estavam sob ataque, ela só não sabia em que parte do mundo.
Apressou o passo, indo para a sala de comando e se apressando para ver os monitores. New York e a varias outras cidades pelas duas costas estavam sendo atacadas e ela estava sabe-se lá aonde, mas isso iria mudar já. Como que adivinhando seus pensamentos, escutou a voz de uma mulher próxima, perguntando quem iria para a cidade. Ela reconheceu os cabelos brancos da mulher que perguntara quem iria para NY. Ela era bastante conhecida por dominar o tempo. Storm, era seu nome. Logo respondeu, sem pestanejar. – Eu. Eu vou com você. – Não havia notado quem estava por ali e muito menos que mais iria, ela só sabia que precisava ir para o campo de batalha, e precisava ir agora. Sem pensar mais nada, como era sempre de seu feitio, logo completou: - Quem mais vai conosco derrubar esses robôs?
Quando saiu do banheiro, Hank foi ao encontro de Janet que o chamou para ele e se sentou na cama ao seu lado. Virou a cara para encara-la e ficou ouvindo o que ela dizia, tentando tomar atenção a tudo mas o cansaço já era muito e perdeu algumas coisas da fala dela.
- Eu sei que tenho de fazer isso. Eu como e dormo, ás vezes- fez uma pausa- no laboratório… - deu de ombros e depois riu- Eu sou assim tão absurdamente lindo? Você está sempre dizendo isso.
Deixou-se cair na cama e ficou a olhar para o teto pensando. Janet tinha razão, Hank não devia estar sempre dentro do laboratório mesmo que isso seja a vida dele, estar o dia inteiro dentro daquela sala fazia-o esquecer-se de fazer as coisas importantes que os seres humanos costumam fazer tal como comer e dormir.
- Sim, fique aqui. Há muito tempo que não tenho companhia. O laboratório também me impede disso - disse rindo e rastejou até ficar direito na cama e ter a cabeça na almofada. - Deite-se ai, Jan - disse apontando para o lado esquerdo da cama e depois acrescentou- E pode falar à vontade.
Jan não pensou duas vezes, como nunca tinha habito de fazer, só tirou as sandálias com os próprios pés e deitou-se na cama, virada para Hank, mesmo que ele estivesse deitado com o rosto virado para cima e olhando o teto. A resposta não demorou nada.
- Ah, sim, você não é assim, exatamente lindo, absurdamente lindo, você é mais para um… absurdamente perfeito de lindo – enquanto falava, terminou fazendo uma caretinha e franzindo o nariz, mas ainda sorrindo. Não era nenhuma novidade ela ficar falando demais, mas ela realmente estava preocupada com ele, então dobrou uma mão, colocando-a por baixo do travesseiro, apoiando sua cabeça no lugar, bem aonde esta repousava, fazendo-se confortável na cama dele, por cima dos lençóis – Eu quero saber de você. Eu sei que você está no laboratório fazendo o que você de melhor, mas o que você descobriu essa semana? Na verdade… como você está, Hank? – perguntou em um tom de voz baixo, já como estava próxima dele.
O que ela queria mesmo era fazer ele falar e gastar o que ainda tinha de energia para dormir, apesar da vontade que ela realmente tinha de saber dele, de conversar e principalmente descobrir o que tinha dentro da cabeça a respeito dele, mas não queria atrapalhar ele agora, quando enfim fora descansar. Só queria… aproveitá-lo enquanto podia.
(Source: jan-wasp)
A ideia de outras cidades fez Sif pensar. Sequer conhecia aquela, mas sentiu vontade de conhecer as outras. Deviam ser tantas e tão diferentes e a deusa sentiu mais ânimo por estar ali. Gostava de descobrir coisas novas, ambientes e pessoas, sempre encontrava algo interessante. Aquela seria uma oportunidade para fugir da rotina de treinamentos e ócio, e tinha quase certeza de que se pedisse Janet não se incomodaria de levá-la para outros lugares.
Deu um sorriso, visivelmente mais empolgada. - Fico contente por ajudar. - e assim acompanhou Vespa. Seguiram pela calçada e pararam diante de um sinal de trânsito. Sif já havia visto antes e sabia o que as luzes coloridas significavam. Não deixava de pensar em como isso era curioso. Em Asgard não havia trânsito, sinais ou faixa de pedestres. A versatilidade dos mundos às vezes a fascinava.
Quando a luz vermelha piscou e os carros pararam, ambas seguiram em frente. A quantidade de gente na rua surpreendeu a morena, mas como havia acabado de ouvir, muitas pessoas iam para a cidade. - Para onde irá me levar primeiro? - indagou, virando seu rosto na direção da menor, os olhos curiosos.
Então antes que a resposta viesse, Sif pousou o olhar sobre um homem apanhando de outro na rua adiante e caindo no chão. - Janet, olhe. - indicou os rapazes com a cabeça, as sobrancelhas franzidas. Ninguém se manifestava para apartá-los e o homem de pé havia acabado de roubar o outro. A deusa fuzilou-o com o olhar.
Jan sorriu um pouco, olhando para a moça a seu lado, enquanto caminhava, atravessando a rua pela faixa. Varias pessoas caminhavam no sentido contrário, passando pela dupla e várias outras caminhando junto com elas. Chegou na outra calçada e balançou a cabeça, parecendo satisfeita de estar ali, caminhando e conversando com e com a companhia que tinha.
- Primeiro uma volta pelas ruas. Talvez comer um cachorro-quente – olhou para Sif de lado e depois voltou a olhar para frente, ainda sorrindo – acho que você vai gostar. Depois a estátua. Definitivamente, a estátua.
Foi nesse momento que Sif chamou sua atenção para algo que acontecia mais a frente. As pessoas se afastavam de algo que estava acontecendo e Janet teve de se mover para o lado, para conseguir visualizar a cena, sem parar de caminhar. Algum homem que estava apanhando, enquanto outro, bem maior, estando por cima dele e fazendo o movimento de levantar o braço mais uma vez para desferir outro golpe certeiro.
- Hey! – antes mesmo que se desse conta, já afastou a pessoa que ia na sua frente para um lado, imaginando que Sif a seguiria, já como, pelo olhar da mesma, era obvio que ela não havia gostado da situação. As pessoas se afastaram, imaginando que algo mais aconteceria, e como sempre acontecia nesses casos, a calçada que outrora estava repleta de pessoas esvaziou-se rapidamente.
Normalmente Janet tinha certo encanto pelo papel que desempenhava: ajudar a salvar a humanidade, ser super-heroína, anda com todos aqueles super-heróis - mas havia isso que ela não conseguia entender: porque as pessoas precisavam se tratar daquela forma. Qualquer que fosse o problema do homem com o outro que estava apanhando, não precisava ser resolvido daquela forma e bem, se o homem maior não sabia disso, ele iria aprender agora, através dela e de Sif.
Sentou-se na sua cama um pouco desajeitado e ficou olhando Janet falando alguma coisa provocante e riu dela. Hank adoraria ter algo com a garota, sentia algo por ela. Janet sempre foi importante para ele mesmo por muito que ela lhe chateasse e se intromete-se nas suas coisas, ele gostava dela. Mas sentimentos deste tipo para ele não tinham importancia alguma. O laboratório era a sua vida e nada era mais importante que as suas pesquisas e experiências. A sua vida era a ciência, nada mais. Continuou olhando ela e se endireitou para lhe responder.
- Eu só desapareço porque tenho coisas importantes para fazer, Janet. - disse respondendo com um tom não muito agradável.O cansaço começava a faze-lo ficar de mau humor, o que não era muito bom. Levantou-se e encarou-a novamente, notou que o seu tom de voz não foi o mais agradável e susserou um desculpa. Ainda à frente da garota começou desenrolando a gravata ao seu pescoço e atirou-a para a cama.
- Sério? Tou assim com uma cara tão má? -sorriu de lado- Tem razão, preciso mesmo. Fique aqui, eu não demoro muito.
Hank saiu da frente de Janet e dirigiu-se para a casa de banho que tinha dentro do seu quarto. Despiu-se e abriu a água do chuveiro, arrepiou-se por a água estava um pouco fria ao inicio mas logo aqueceu. Terminou e enrolou um toalha á cintura, quando ia a sair lembrou que Janet estava lá fora e que ele não tinha trazido pijama nenhum para dentro da casa de banho. Teria de sair naquelas condições. Saiu e riu envergonhado para a garota.
-Esqueci das minhas coisas, desculpe desculpe! - pegou no pijama e nos boxers e voltou para a casa de banho, fechando a porta rapidamente. Vestiu-se e saiu para o quarto. - Pronto! Agora tou bem mais apresentável.
Ainda em pé, viu Hank sentar e se aproximou, com as mãos para trás de seu corpo. Escutou a resposta dele, mas não levou a mal, como normalmente nunca levava a mal quando alguém tentava lhe dizer que estava passando os limites ou falando demais. Ela sabia que ele estava cansado e muito provavelmente havia esquecido de dormir e comer, sem contar que o conhecendo, estava preocupado com seja lá o que for que ele estivesse pesquisando no momento.
- Cuidado, doutor, vou começar a achar que eu afeto seu comportado de “extremamente ocupado” para “extremamente ocupado para você” – brincando, ela mesma riu baixo, enquanto viu levantar-se, na sua frente – Acho difícil você ficar com uma cara “tão má assim”, mas dá pra notar que você está realmente cansado. – completou mesmo enquanto ele se movia para o banheiro.
Por fim, sentou-se na cama, quase no mesmo lugar aonde ele havia sentado antes e cruzou as pernas. Olhou pela janela, enquanto esperava o outro voltar, até que por fim ficou cantarolando baixinho, enquanto dobrava o cotovelo e o apoiava em seu joelho. Quando Hank abriu a porta do banheiro e saiu só de toalha, o impulso de provocar foi mais forte do que poderia pensar em controlar.
- Desculpas? Pensei que você iria dançar ou alguma coisa do tipo – acompanhou todo o caminho que ele fez com o olhar, enquanto pegava um pijama e por fim voltava para dentro do banheiro, se permitindo rir. Quando ele saiu, ela não se levantou, continuou sentada na cama, mas descruzou as pernas e bateu com a mão do lado dela na cama – Venha aqui. – Em um tom mais sério, algo que não era tão comum assim para ela – Eu sei que você tem todo um laboratório e todas suas pesquisas que precisam de você e que você gosta delas, mas meu papel nisso tudo é te fazer lembrar que mesmo que você seja absurdamente lindo e um grande cientista, você ainda precisa fazer aquelas coisas básicas, como comer. E dormir. – apesar de falar mais séria, o tom de frase tinha uma leveza que ela sabia colocar como ninguém e principalmente porque era verdade. Ele era um grande cientista, ele sabia o que fazia, ele podia ajudar a salvar o mundo, mas ainda assim ele precisava do que ela falou. Voltando a sorrir, ainda completou – E agora deveria ser a hora que eu falaria que ia pro meu quarto pra te deixar descansar, mas não sei, talvez eu fique por aqui para ter certeza absoluta que você vai fazer isso. Prometo até que paro de falar.
(Source: jan-wasp)
Já faziam 7 horas desde que Hank estava no seu laboratório, acabando algumas pesquisas que à alguns dias atrás tinha começado. Ainda não tinha dormido direito desde que decidiu fazer essas pesquisas. Enquanto estava no laboratório nada o fazia desconcentrar do seu trabalho, mas já estava ali á tanto tempo que a sua cabeça já latejava de dor. Estava com sono, óbvio.
Endireitou-se na cadeira, já começava a ficar um bocado desconfortável, agarrou a caneta na sua mão com força e começou a fazer alguns rabiscos na folha á sua frente. Alguns minutos depois, deixou a caneta cair e encostou a testa na ponta da mesa. “Já chega de laboratório” pensou. Levantou-se da cadeira, tirou a bata e pousou-a na cadeira. Foi para a porta do laboratório e apagou as luzes. Dirigiu-se para o seu quarto.
Quando abriu a porta, viu que Janet lá estava e fechou a porta do quarto levemente. Já fazia algum tempo que não via Janet ou que não falava com ela.
- O que está fazendo aqui? Está á minha procura? - disse dando um meio sorriso e tentando não parecer tão cansado quanto estava.
Ele mantinha o quarto tão organizado que ela não entendia como ele conseguia. Claro que ele não estava ali, estava no laboratório e ela deveria ter sabido melhor, mas o fato é que queria só… saber o que ele andava fazendo? Conversar? Atrapalhar o trabalho dele? Desorganizar as coisas dele? Ela mesma terminou sorrindo, quase rindo, enquanto se aproxima da mesa que ele possuía. Era engraçado como nunca havia pensando tanto em… a porta moveu-se, o som chamando sua atenção e virou no mesmo instante, vendo Hank entrar. Ele estava cansado, isso dava pra notar, embora ela não soubesse o quanto, já como a expressão dele não a deixava saber.
- Oh, não, não, eu vim procurar um cientista sexy, alto, loiro, que provavelmente está apaixonado por seu laboratório. – Ela estava provocando e agora sim, terminou rindo em um tom baixo, enquanto se movia na direção dele – Claro que eu vim aqui a sua procura, Hank, porque se eu não vier, você definitivamente some, não é?
Parou de mover a dois passos de distancia dele, com as mãos para trás do corpo e ainda sorrindo. Ela notou o cabelo dele e nunca antes havia pensando sobre isso ou sobre a cor dos olhos dele – o que mostrava que ela estava pior do que pensava. Se ela estava assim, ele definitivamente tinha que estar também, não era? Mas todas essas preocupações e pensamentos pareceram idiotas em vista do bem estar dele. Isso por hora era mais importante do que… do que quer que seja que ela estivesse sentindo por ele. Então exagerou quando falou, mas era ela sendo ela, e ela tinha certeza que ele sabia disso.
- Você está com uma cara de quem vai dormir em pé, mas eu aposto que você mesmo sabe disso. Vá tomar um banho e volte aqui, você precisa deitar e dormir.
(Source: jan-wasp)
Por mais que ela soubesse que as coisas estavam mudadas entre eles dois, ela ficava se perguntando o quanto ela queria que mudasse. Não é que ela não queria que mudasse – ela queria, ela só não queria ter que ficar racionalizando e pensando. Ela era quem ela era e ele era quem ele era – “brilhante pensamento, Janet!”, ralhou consigo mesma. Ela deveria simplesmente parar de tentar colocar em palavras o que estava acontecendo. Ela queria vê-lo? Ela iria vê-lo. Simples.
Virou-se e caminhou para a porta do seu quarto, abrindo-a e pegando o corredor, sem parar um segundo mais. Logo chegou a porta do quarto de Hank e bateu, abrindo em seguida.
- Hank? – colocou a cabeça pra dentro do quarto, esperando para ver se ele estava lá. Na verdade, não deveria simplesmente ter aberto a porta, mas porque esperar? Empurrou mais um pouco da porta, entrando com todo o corpo em seguida. Só o que faltava ele não estar lá. Deveria ter procurado direto no laboratório, mas queria tentar encontrá-lo no quarto, porque bem, o que queria falar não tinha nada a ver com ciência.
Terminou de entrar no quarto e fechou a porta atrás de si, dando mais dois passos e ainda esperando por resposta.
